Esther Díaz

ESTHER DÍAZ

Doctora en filosofía

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 Em torno da construção de si
A Filosofia de Michel Foucault, de Esther Díaz, analisa o vigoroso pensamento do francês
06 de abril de 2013 | 2h 15
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,em-torno-da-construcao-de-si-,1017704,0.htm



A Filosofia de Michel FoucaultREGINA SCHÖPKE* - O Estado de S.Paulo
Sempre avesso a rótulos, que funcionam como camisas de força para o pensamento, Michel Foucault (1926-84) foi muitas vezes indagado sobre a natureza de suas especulações. Seria ele um filósofo ou um historiador? Foucault, que não via necessidade alguma de saber quem ele próprio era, mas apenas de entender que o maior interesse na vida e no trabalho é tornar-se diferente daquilo que se é, não deixava de revelar com isso que acreditava na possibilidade de transformação de si mesmo. Se essa transformação é algo que se prepara num nível mais inconsciente ou se é efeito de uma vontade afirmativa, não importa muito. O importante é que essa questão (a da construção de si) foi ficando cada vez mais forte e evidente na obra de Foucault, levando-o, nos seus últimos anos, a se voltar cada vez mais para a ética, defendendo com paixão a ideia de que é preciso tomar nas mãos a própria existência e fazer dela uma obra de arte.

Contrariando, então, esse desejo de Foucault de não ser classificado, diríamos que, no final da vida, ele se tornou plenamente um "filósofo". É por isso que, quando seu amigo Paul Veyne relata que, nos seus derradeiros anos, Foucault se mostrava profundamente excitado e maravilhado com a filosofia antiga (na qual mergulhou por ocasião de seus estudos sobre a história da sexualidade), não podemos deixar de ver aí que aquele que, muitas vezes, acreditou que o pensamento dos antigos gregos e romanos estava morto para o mundo contemporâneo, acabou descobrindo na ideia da "estética da existência", que atravessa a Antiguidade, o verdadeiro ideal da própria filosofia.

Esse seu encontro com a filosofia, que é também um encontro consigo mesmo e com a vida, pode ser vislumbrado no livro A Filosofia de Michel Foucault, da filósofa argentina Esther Díaz. No livro, fica claro que Foucault sempre se viu como aquele que empreendeu uma espécie de "ontologia do presente", que Díaz chama de "ontologia histórica", tamanho o seu interesse pelo ser em sua atualidade. Sua intenção sempre foi a de entender como nos tornamos aquilo que somos, sujeitos do conhecimento, embora também sujeitados por ele. Como arqueólogo e genealogista do saber, ele olhava para o passado, mas apenas para pensar melhor o presente, embora pareça ter descoberto, por fim, que o passado não é uma instância morta nem tão distante de nós.

Para entendermos melhor essa trajetória singular, o livro de Díaz se mostra uma ferramenta bastante útil. Doutora em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires (UBA) e docente da Universidade de Lanús, Díaz apresenta um estudo bastante sistemático e minucioso daquilo que ela classifica como "as três fases do pensamento foucaultiano": o Foucault da arqueologia, o da genealogia e o da ética. Díaz ressalta a sintonia que existe entre a vida e o pensamento de Foucault (o que, aliás, é de se esperar de todo filósofo autêntico). E é assim que ela vai tecendo a trama dessa vigorosa rede de ideias até nos levar aos últimos momentos do filósofo, na década de 1980, onde já "ferido de morte", ele teria começado a pensar sistematicamente sobre o amor, o desejo e o cuidado de si. É aí, então, que, segundo a autora, a mais clássica de suas interrogações filosóficas aflora, quando ele começa a rastrear as relações éticas entre liberdade e verdade.

Foucault nos deixou muito cedo, justamente quando seu pensamento atingia as maiores alturas, tal como ocorreu com Nietzsche. Mas, diferentemente de Nietzsche, ele pôde trabalhar até o último dia, mesmo não conseguindo concluir sua História da Sexualidade. Sem querer, ele já nos deixava outro ensinamento: o da superação do niilismo existencialista de seu tempo. Seus últimos escritos não refletiam o lamento de uma vítima ou um grito desesperado. A náusea, o vazio, a falta de sentido da existência não dizem respeito à existência em si, mas àqueles que não estão aptos a ela. A obra final de Foucault - como deve ser a de todo verdadeiro filósofo - foi um canto de amor, uma afirmação radical e apaixonada da vida.

O objetivo do autor era pôr a nu os chamados Julgamentos de Moscou, nos quais a cúpula do PC da URSS foi liquidada. * É FILÓSOFA MEDIEVALISTA, AUTORA DE MATÉRIA EM MOVIMENTO, DICIONÁRIO FILOSÓFICO (MARTINS MARTINS FONTES)

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